Microtus cabrerae – o nosso primeiro grande projeto.

Estudámos um ratinho protegido, endémico da Península Ibérica. Durante dois anos, fizemos acampamentos de 3 dias, ao longo das várias estações do ano, para compreender o comportamento deste fascinante roedor. A National Geographic publicou um artigo de várias páginas sobre as nossas descobertas. Trabalharam neste projeto, de 2000 até 2003: Cláudia Matos (coordenação), João Cortes, Rita Brito, Rita Domingos, José Fernandes, João Afonso, Rita Silva (mais conhecida por Tatiana Bela), Catarina Silva, João Martins e o nosso saudoso Duarte!

ALGUMAS DAS MUITAS AVENTURAS QUE VIVEMOS…

Para os acampamentos de Dezembro e Fevereiro previa-se muita chuva. Encontrámos soluções: em Dezembro pedimos carrinhas tipo furgão, emprestadas por amigos, em Fevereiro alugámos uma tenda do exército!… Em Abril não previmos chuva e nas vésperas começou a chover torrencialmente. O campo estava completamente inundado mas o grupo não podia pensar em desistir. Depois de muito puxar pela cabeça lá conseguimos emprestada a Escola do 1º Ciclo mais próxima (Bicos), onde comemos, dormimos e guardámos o material. E a amostragem lá se fez como estava previsto, apesar de não parar de chover durante os quatro dias. Por incrível que pareça foi o acampamento mais animado de todos!

Num dos acampamentos procurámos em celeiros, casa abandonadas e outras construções no meio dos campo, locais onde pudéssemos recolher mais regurgitações de coruja, onde se encontram os crânios dos roedores. Num belo dia, saímos de uma destas incursões num palheiro velho, cobertos de milhares de pulgas!… o resto do dia foi para nos vermos livres delas!

Na pacatez do montado a última coisa que nos lembramos é que podemos ser assaltados. Claro que as nossas coisas ficam sempre no acampamento quando vamos às estações de amostragem– máquinas fotográficas, bicicletas, mochilas… Um dia, ao chegarmos da monitorização das colónias, deparámos com o acampamento completamente vandalizado. Como bons investigadores procurámos pistas: pegadas, cabelos, cheiros… rapidamente os culpados foram identificados: os porcos pretos do monte vizinho!

Destes acampamentos sobram boas memórias: contemplar céu estrelado, fazer ioga no meio do montado, os insetos a caírem nos pratos do jantar, atraídos pelas luzes das velas sobre a mesa, uma açorda que só sabia a alho, uma massagem aos órgãos internos, as torradas feitas na fogueira, as partidas, as brincadeiras…